A vacina contra o sarampo, protege contra outras infecções

Há mais de 50 anos, quando se generalizou a vacinação contra o sarampo, a taxa de mortalidade infantil diminuiu muito mais do que os especialistas haviam esperado.

A vacina contra o sarampo protege também contra outras doenças infecciosas durante três anos, reduzindo o risco de morrer por causa das mesmas, conforme descobriram pesquisadores das universidades de Princeton, nos Estados Unidos, e do centro médico da universidade de Roterdão na Holanda.

O sarampo afeta a resistência do paciente a contrair outras doenças infecciosas, porque danifica a memória do sistema imune

Os autores do estudo, que foi publicado em Science, analisaram a mortalidade por doenças infecciosas nos Estados Unidos, a Dinamarca e o Reino Unido (Inglaterra e país de Gales), em diferentes períodos, entre 1945 e 2010, de acordo com o momento em que se estendeu em cada um destes países a administração da vacina contra o sarampo.

Estes cientistas comprovaram que o sarampo afeta a resistência do paciente a contrair outras doenças infecciosas, porque danifica a memória do sistema imune, de forma que este perde a capacidade para combater uma grande variedade de bactérias, uma espécie de amnésia imunitária que se pode prolongar por várias semanas, até dois ou três anos. Observaram, pelo contrário, que com a administração da vacina, o organismo mantém a memória imunológica e estava mais bem protegido contra as infecções.

Os resultados da pesquisa podem ajudar a compreender por que há mais de 50 anos, quando se generalizou a vacinação contra o sarampo, a taxa de mortalidade infantil diminuiu muito mais do que os especialistas haviam esperado. E podem influenciar, além disso, sobre o debate gerado após o surto de sarampo que surgiu na Califórnia, em dezembro de 2014 sobre a obrigatoriedade de vacinação das crianças contra o sarampo, algo que muitos pais se recusam, por medo de possíveis efeitos secundários.

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