Dra Natalia Jiménez Gómez

A rosácea é uma doença crônica da pele que se caracteriza pelo rubor facial, o que provoca insegurança e vergonha para os afetados. De fato, os resultados de uma investigação internacional, a Face Values: Global Perceptiions Survey, obtida a partir de mais de seis mil pesquisas realizadas em vários países europeus e no México, revelam que as pessoas que sofrem rubor facial associado a rosácea são percebidas pelos outros, menos inteligentes, e acredita-se que a sua aparência influencia negativamente a hora de iniciar um relacionamento ou um emprego. Por isso, e com o objetivo de fomentar o conhecimento deste transtorno, que recentemente lançou o Programa Global de conscientização sobre a Rosácea Act on Red (Planta rosto a vermelhidão). A doutora Natalia Jiménez Gómez, dermatologista do Hospital Ramón y Cajal e Hospital Quirón San José, e mestre em dermatologia estética pela Universidade de Alcalá, que participou no acto de apresentação desta iniciativa, nos fala sobre essa doença e a importância de um diagnóstico correto para o controle de seus sintomas.

o Que é a rosácea e quais são suas causas?

A rosácea, também conhecida como “acne rosácea”, representa uma doença inflamatória crônica da pele que cursa com lesões faciais, as quais às vezes são clinicamente heterogêneas.

A causa exata da rosácea é desconhecida, embora haja relatos de vários fatores que contribuem para o seu aparecimento. Acredita-Se, portanto, que a sua origem se deve à combinação dos mesmos. A predisposição genética influencia em sua aparição. De fato, pode-se observar vários casos de rosácea dentro de uma mesma família. O clima exerce um papel determinante, sendo a exposição solar é um fator prejudicial. Estes fatores meteorológicos podem explicar, em parte, a alteração das paredes dos vasos sanguíneos faciais que existem na rosácea. A presença, além do ácaro Demodex folliculorum também pode contribuir para o aparecimento desta patologia.

trata-Se de uma doença freqüente na atualidade?

Sim, estima-se que, a nível mundial, 40 milhões de pessoas que têm rosácea. Apesar de sua elevada prevalência, é uma patologia infradiagnosticada e que, por vezes, não recebe um tratamento correto. O baixo percentual de casos diagnosticados tem a ver em parte com a ausência do reconhecimento na sociedade dos achados clínicos como parte de uma doença.

Quais são os sintomas diferem de outros distúrbios cutâneos e como é diagnosticada?

Ao contrário do acne vulgar, que pode aparecer também no decote e nas costas, a rosácea aparece apenas na região facial. Sintomas como sensação de queimadura ou sensação de pele esticada cutânea são muito freqüentes e causam um forte impacto na qualidade de vida. Vermelhidão, rubor, ou também chamado de eritema facial, é uma das primeiras manifestações da rosácea. Costuma afetar de maneira difusa em toda a face, mesmo que predomina na região das bochechas. Em casos mais avançados de rosácea podemos encontrar, além disso, a presença de pápulas e pústulas, que se vão manifestar-se como lesões cutâneas sobreelevadas, com algumas semelhanças com as que encontramos em pacientes com acne vulgar. Por último, pode-se notar a presença de vasos sanguíneos visíveis, de predomínio na região nasal, que recebem o nome de telangiectasias.

O vermelhidão, rubor, ou também chamado de eritema facial, é uma das primeiras manifestações de rosácea, que costuma afetar de maneira difusa em toda a face, mesmo que predomina na região das bochechas

O diagnóstico se realiza na maior parte dos casos com a pesquisa física (na base das lesões anteriormente descritas). No caso de observar um rubor facial, isolado, é muito importante a realização de uma história clínica completa para descartar outras patologias diferentes para a rosácea, como, por exemplo, distúrbios de origem hematológico ou hormonal. De forma menos freqüente será necessária uma biópsia de pele para confirmar o diagnóstico. É importante destacar que o diagnóstico correto, realizado por um dermatologista, é o primeiro passo para o controle das manifestações desta doença.

A quem afeta a rosácea? Há pessoas mais predispostas a sofrer este transtorno, ou fatores, como o tipo de alimentação ou o clima, que contribuem para o seu aparecimento?

A rosácea afeta com maior frequência em mulheres (entre 2 e 3 vezes mais freqüente em mulheres que em homens), mesmo que os sintomas são mais graves, em que os homens. O período em que mais se diagnostica esta doença é entre os 30 e os 50 anos, com um predomínio em pessoas que apresentam a pele mais clara.

Alguns fatores climatológicos e alimentares estão associados com surtos da doença, portanto, o seu conhecimento e modificação vão ser fundamentais no controle da rosácea.

Controlar os sintomas da rosácea

Você pode prevenir o aparecimento de rosácea, ou tomar medidas que ajudem a reduzir a intensidade ou duração dos surtos?

Não existe como tal uma prevenção para o aparecimento de rosácea, ainda sim, existem vários fatores que podem precipitar ou agravar o surto da doença. É fundamental evitar a exposição solar, as bebidas alcoólicas, ou os alimentos picantes.

Como é a rosácea? É necessário personalizar os tratamentos em função das características do paciente?

Embora a rosácea não tem cura, é uma doença tratável e controlável por diferentes vias. O tratamento deve ser individualizado em função do tipo clínico de rosácea e as expectativas de cada um de nossos pacientes. Dentro do arsenal terapêutico disponível encontram-se os antibióticos tópicos e orais, a isotretinoína, e até mesmo diferentes tipos de laser. É necessário instruir o paciente sobre as medidas de limpeza e proteção solar facial que deve ser feita de forma diária, bem como quais tratamentos hidratantes são os mais adequados. Podem ser utilizados, além de maquiagens específicos para peles reactivas, que suprimem algumas manifestações da doença.

É necessário instruir o paciente sobre as medidas de limpeza e proteção solar facial que deve ser feita de forma diária e sobre os tratamentos hidratantes mais adequados

de Acordo com uma recente pesquisa internacional –Face Values: Global Perception Survey– o rubor que sofrem as pessoas com rosácea há que diminuir suas chances de ter um relacionamento ou um emprego. O que poderiam fazer as autoridades de saúde para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas?

Uma medida prioritária a adoptar é a maior difusão em diferentes canais de informação desta doença, devido à sua alta prevalência e o escasso conhecimento de que ela existe na população em geral. Além disso, deve enfatizarse a necessidade de uma avaliação por parte de um dermatologista para ter um diagnóstico correto. Essa mesma pesquisa revela que a precisão no diagnóstico, há duas vezes mais provável o controle dos sintomas da doença.

Este estudo também revela que 77% dos pacientes com rosácea se sentiu alguma vez envergonhado ou inseguro por causa de seu problema. É necessário que essas pessoas recebam também um tratamento psicológico?

A rosácea é uma doença que pode afetar de forma muito importante para a qualidade de vida do paciente se não for instituído um tratamento eficaz. Habitualmente, após explicar o curso normal do processo e instaurar um tratamento individualizado, a melhoria na qualidade de vida é notável e não costuma ser necessário um apoio psicológico.

A precisão no diagnóstico de rosácea há duas vezes mais provável o controle dos sintomas da doença

o Que avanços ocorreram no diagnóstico e tratamento da rosácea nos últimos anos? Existe alguma investigação em andamento, com o objetivo de melhorar o atendimento a esses pacientes?

atualmente contamos com novos medicamentos que fazem parte do arsenal terapêutico para o acne rosácea. Um deles é a brimonidina em gel, que permite tratar a vermelhidão facial persistente associado à rosácea. Além disso, de forma recente, a FDA (Food and Drug Administration) aprovou o uso de ivermectina a 1% em creme para a rosácea, a qual é esperado que esteja disponível em nosso país ao longo do ano de 2015.

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